Uma insanidade libertária –
ainda assim, um desvario – que desponta, na barafunda destes fins dos tempos, grassa
na possibilidade vulgar do sucesso comercial. A fórmula consumista, eivada por
sua fugacidade descartável de abjeta superficialidade dos conteúdos, torna-se
explícita na indústria popular dos artistas desprovidos de talento.
Nesse
fenômeno relativamente recente, para se produzir uma música “grudenta” não é
necessário compositor nenhum. Apenas computadores e uma estampa promíscua,
lasciva ou rebelde a contestar a “ordem social” (como se existisse
alguma). O mesmo vale para êxitos
financeiros do cinema e da literatura – nada profundo, além das vendas. Na
atualidade, determina-se o extermínio sistemático da ditadura elitista – senão
eurocentrista, na engajada concepção anticlássica da patuleia. E de sua
trolagem energúmena, bastião de uma horda néscia, amorfa e sem identidade,
parida eletronicamente das redes
sociais.
Presenciamos
os atentados diuturnos, contra quaisquer tabus e moral porventura
remanescentes, na refrega autofágica de um mercado consumista, ora massificado
pela verve das culturas rasas do imediatismo e autopromoção (em detrimento da
técnica e refinamento, da beleza das formas com conteúdo, etc.). Em tempos de
“vender” em vez de “ponderar”, valem o rótulo, a embalagem, a propaganda, o status e a vulgaridade como sinônimo de
popularidade. O resto fica abandonado à moribunda casta intelectual, essa em
franca extinção, graças aos céus (it’s
revolution, baby)!
Um
exemplo pessoal? Não sei desenhar, contudo a mediocridade não me impede de
fazer uma charge – novamente, uma imagem no lugar das palavras. Intitulada “Campo e grandes centros cada vez
mais próximos”, tal imbecilidade é formada por dois cenários ladeados; à
esquerda está um velho caipira, dizendo “có-có-có” e distribuindo milhos para
algumas galinhas, que se aproximam com avidez. Já à direita, está um idoso,
careca e barrigudo, apenas de cuecas, dizendo “có-có-có” e jogando dólares para
um bando de belas jovens, afoitas em sua direção. Viram? Uma porcaria cartunesca. Sem dúvida,
carregada de potencial, à espera de um marqueteiro para torná-la obra-prima
arrasadora (com validade de uma semana).
Um
exemplo mundial? A megafranquia Stars War (“mudei eu, ou mudaram os natais?”),
que deixou de ser interessante desde a sua belle
époque (anos 80) para se tornar apenas outro insosso sucesso comercial.
Ontem assisti ao perfeitamente deletável “Despertar da Força Negra”. Produto pasteurizado, com roteiro sugado descaradamente
de versão anterior, caricato e burocrático - cujos minimalistas efeitos em 3D
dispensaram até mesmo uma aguardada projeção de sabre à plateia, ou de disparos
de blaster.
Seja
como for, este matungo que digita relutou bravamente contra o sono, até a
metade do piquenique, quando finalmente reconheceu ser outra vítima inerme de
uma bilheteria arrasadora, fruto postiço de um “revival” pré-dourado (na
esteira de histriônica nostalgia nerd – tão abobalhada pelos tentáculos
universais da mídia, o quarto Poder de qualquer nação ocidental; essa sim,
lídimo “lado negro da Força”).
Está
cada vez mais difícil ser surpreendido por algo de bom. Retorno ao ostracismo
de minha caverna silenciosa. Paixões e histerias coletivas não se discutem.
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