Piores do Mercosul:


Estas instalações ordinárias constituem a página eletrônica mais ignorada da Região Gaudéria! Em uma velha estação ferroviária (há muito abandonada, entre Santo Ângelo e Ijuí), encontramos (in)certos tibúrcios, aptos a formar um panfleto voltado para opiniões sobre videogames, quadrinhos, filmes, bugigangas modernosas -gadgets- e derivados. Aprochega, vivente, puxa um cepo e vamos desenrolar a charla!


(ESTE BLOG FOI CRIADO EM 13 DE JULHO, DIA INTERNACIONAL DO ROCK. Em sua origem, tem por editores irresponsáveis Xexéu Pilantra e Renato Patife .)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A Arte Sem Talento


Uma insanidade libertária – ainda assim, um desvario – que desponta, na barafunda destes fins dos tempos, grassa na possibilidade vulgar do sucesso comercial. A fórmula consumista, eivada por sua fugacidade descartável de abjeta superficialidade dos conteúdos, torna-se explícita na indústria popular dos artistas desprovidos de talento.  

              Nesse fenômeno relativamente recente, para se produzir uma música “grudenta” não é necessário compositor nenhum. Apenas computadores e uma estampa promíscua, lasciva ou rebelde a contestar a “ordem social” (como se existisse alguma).  O mesmo vale para êxitos financeiros do cinema e da literatura – nada profundo, além das vendas. Na atualidade, determina-se o extermínio sistemático da ditadura elitista – senão eurocentrista, na engajada concepção anticlássica da patuleia. E de sua trolagem energúmena, bastião de uma horda néscia, amorfa e sem identidade, parida  eletronicamente das redes sociais.

              Presenciamos os atentados diuturnos, contra quaisquer tabus e moral porventura remanescentes, na refrega autofágica de um mercado consumista, ora massificado pela verve das culturas rasas do imediatismo e autopromoção (em detrimento da técnica e refinamento, da beleza das formas com conteúdo, etc.). Em tempos de “vender” em vez de “ponderar”, valem o rótulo, a embalagem, a propaganda, o status e a vulgaridade como sinônimo de popularidade. O resto fica abandonado à moribunda casta intelectual, essa em franca extinção, graças aos céus (it’s revolution, baby)!

              Um exemplo pessoal? Não sei desenhar, contudo a mediocridade não me impede de fazer uma charge – novamente, uma imagem no lugar das palavras.  Intitulada “Campo e grandes centros cada vez mais próximos”, tal imbecilidade é formada por dois cenários ladeados; à esquerda está um velho caipira, dizendo “có-có-có” e distribuindo milhos para algumas galinhas, que se aproximam com avidez. Já à direita, está um idoso, careca e barrigudo, apenas de cuecas, dizendo “có-có-có” e jogando dólares para um bando de belas jovens, afoitas em sua direção.  Viram? Uma porcaria cartunesca. Sem dúvida, carregada de potencial, à espera de um marqueteiro para torná-la obra-prima arrasadora (com validade de uma semana).

              Um exemplo mundial? A megafranquia Stars War (“mudei eu, ou mudaram os natais?”), que deixou de ser interessante desde a sua belle époque (anos 80) para se tornar apenas outro insosso sucesso comercial. Ontem assisti ao perfeitamente deletável “Despertar da Força Negra”.  Produto pasteurizado, com roteiro sugado descaradamente de versão anterior, caricato e burocrático - cujos minimalistas efeitos em 3D dispensaram até mesmo uma aguardada projeção de sabre à plateia, ou de disparos de blaster.

              Seja como for, este matungo que digita relutou bravamente contra o sono, até a metade do piquenique, quando finalmente reconheceu ser outra vítima inerme de uma bilheteria arrasadora, fruto postiço de um “revival” pré-dourado (na esteira de histriônica nostalgia nerd – tão abobalhada pelos tentáculos universais da mídia, o quarto Poder de qualquer nação ocidental; essa sim, lídimo “lado negro da Força”).

              Está cada vez mais difícil ser surpreendido por algo de bom. Retorno ao ostracismo de minha caverna silenciosa. Paixões e histerias coletivas não se discutem.

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