Via de regra (na ótica do despirocado que vos escreve), séries em gibi pautadas pela aglomeração de personagens costumam apresentar pouca ação, muita conspiração e enredo fraco. Ou seja, um épico banzé intergalático com dimensões apocalípticas e chateação garantida. Como exceção, figura a clássica “SECRET WARS”, em que alguns heróis e vilões são lançados em um planeta distante para... Acertar suas diferenças...
Recentemente, Patife entregou a “GUERRA CIVIL” aos meus descuidados. Por lacônica sinopse, sua trama orbita em uma questão xexeliana: quando a lei deve prevalecer sobre a moral e o senso comum de justiça?
Uma tragédia, envolvendo “mascarados”, deflagrou a exigência governamental de que heróis com superpoderes não mais pudessem atuar no anonimato. Para muitos, isso significaria dar adeus à segurança de uma vida civil (mormente em referência à sua parentela).
Com efeito, uma frágil e tensa dicotomia – entre apologistas e rebeldes – propicia uma história apreensiva, de incomum plausibilidade.
Aos neófitos do Direito, cabe o exercício reflexivo sobre a legitimidade e a eficácia de uma lei gerada por um clamor popular parcial e pouco arrazoado (quase puramente emocional – com notas destacadas de medo, inveja e preconceito) ao encontro de interesses políticos sinistros.
O detalhe apreciável fica por conta do discurso inteligente e técnico, mas pouco sensível, do Homem Elástico para com a Mulher Invisível (que por triste ironia, acaba se vendo como uma esposa invisível).
No mais, inexiste um bom quebra-quebra, esqueceram da adrenalina de uns sopapos bem aplicados e a arte empregada não é memorável (a exemplo de ícones como “Batman e Juiz Dredd” e “O Cavaleiro das Trevas”). Ainda assim, vale o biscoitinho com leite gelado.
Dica de leitura paralela: “O Caso dos Exploradores de Cavernas”, de Leon L. Fuller.
